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Hip-Hop vira estratégia de ensino em São Paulo


Rap para memorizar as matérias. Letras que estimulam a reflexão de temas como drogas, bullying e recursos naturais. Grafites que chamam a atenção para a inclusão de minorias. Isso é o que vem acontecendo em Diadema, no Grande ABCD, num projeto que utiliza o hip-hop como ferramenta pedagógica.
O projeto, conduzido pelo grupo musical Matéria Rima, ganhou o prêmio Itaú Unicef (edição 2015), dedicado a ONGs que contribuem para a educação em tempo integral de crianças em situação de vulnerabilidade social. As oficinas acontecem fora do horário das aulas e atingem 16 escolas da rede municipal, atendendo cerca de mil crianças. Na última quarta-feira (13), a ação aconteceu na Escola Municipal de Ensino Fundamental Mario Santa Lucia. Inicialmente houve oficina de rimas e, depois, de grafite. “Vamos, através das rimas, tentando passar conteúdo e explicando as coisas”, contou Nícolas Silva, o MC Nícolas, filho do fundador do grupo, o MC Joul.
Já a coordenadora pedagógica do grupo, Joseane Silva, disse que o projeto funciona em sintonia com a linha educacional da escola. “Os educadores nos passam os conteúdos, as demandas e carências, e nossas oficinas abordam esses temas na linguagem da arte”, disse.
RESULTADOS/ Os docentes das escolas atendidas relatam queda nos índices de evasão. Como resultado de uma ação mais profunda, que contou com essas oficinas mais revisão curricular e assessoria com o Sistema Sesi de Ensino, a educação pública de Diadema conseguiu um avanço no último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), passando de 5,9 (2013) para 6,3 (2015). Os números são comemorados sobretudo pela alta vulnerabilidade da região, que tem uma taxa de mortalidade infantil de 14,56 (para mil nascidos vivos), enquanto no estado é de 10,66. Já o PIB (Produto Interno Bruto) per capita é de R$ 35,2 mil, enquanto em todo o estado é de R$ 43,5 mil.
Alunos fazem rap sobre bullying 

A Escola Municipal de Ensino Fundamental Mario Santa Lucia, em Diadema, vinha enfrentando problemas de violência psicológica entre os alunos, o chamado bullying. O tema foi passado pela coordenação ao Grupo Matéria Rima, que desenvolve oficinas de hip-hop com os jovens, e a questão virou letra de rap.
Os alunos Cassiane Longo, 10 anos, e Wesley Neves, 13, compuseram uma música com a seguinte letra: "Bullying não é legal, machuca muita gente. Toca no coração e mexe com a nossa mente. Pense duas vezes antes mesmo de agir. Não faça brincadeira com quem não vai curtir".
Cassiane conta que, para compor o rap, inspirou-se na história de uma colega de classe que era marginalizada só por ser mais velha e já ter repetido de ano. "Todo mundo curtia em cima dela e eu vi que aquilo não era legal", contou.
Já Wesley disse que a experiência de compor um rap lhe deu mais estímulo para frequentar a escola. "Agora dá mais vontade de acordar cedo e sair de casa para vir para cá", afirmou.
Cassiane relatou que, depois das oficinas do Grupo Matéria Rima, resolveu ser cantora. Já Wesley contou estar resolvido a ser desenhista. "Vou usar minha criatividade como profissão", afirmou o jovem aluno da Escola Mário Santa Lucia.
Um novo espaço de aprendizagem na escola 
OPINIÃO
Juarez Xavier, educador
É fundamental a escola lidar com outros espaços de aprendizagem, como está acontecendo na cidade de Diadema.
A educação formal é imprescindível, mas é preciso outros arranjos e a cultura do hip-hop ajuda a criar outros espaços de conhecimento. Por meio dela, cria-se uma ação mais articulada com a sociedade.
Esse tipo de ação educativa tende a ter a adesão da comunidade. Ela passa a acolher a escola em vez de depredá-la, por exemplo. A escola normalmente tem dificuldade de absorver coisas novas e projetos como esse de Diadema ajudam a aceleras as mudanças.
Por isso, considero completamente bem-vindo o projeto que utiliza a cultura do hip-hip como ferramente educacional, em Diadema. É um projeto inclusivo e absolutamente inovador.
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